quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MULHERÃO

Um dos meus vídeos favoritos... Pura reflexão... Enquanto isso, inúmeras "mães" abandonam seus filhos saudáveis em lixeiras, em rios, em esgotos...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FILHOS DA INSENSATEZ: ANALFABETOS DA MÍDIA




-->
“Haverá maior solidão do que a ausência de si?” Clarice Niskier, em "A Alma Imoral"
FILHOS DA INSENSATEZ: ANALFABETOS DA MÍDIA
Existem os olhos, e existe o olhar...
Os apresentadores do Jornal Nacional e do Fantástico fazem pose de preocupados quando o assunto é aquecimento global e crise ambiental, porém, a mídia televisiva, mais do que qualquer outra, estimula incessantemente o consumismo, e quão pouco faz para conscientizar...
Troque de carro.Troque de tevê. Mude para nossa operadora, temos os melhores planos. Beba mais cerveja. Troque de celular,etc, etc, etc...(24 horas por dia, 7 dias por semana).
Não estranhe se amanhã, na abertura do Jornal Nacional, anunciarem o velório da coerência: “Consumo, logo existo.” Na sociedade consumista, quem não consome não existe.Triste tempo o nosso... William Bonner equiparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson, um sujeito preguiçoso, burro, que adora ficar no sofá, assistindo tevê, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, e que só dá mancadas na vida.
O mais preocupante, porém, não é o fato de termos como editor chefe e apresentador do maior telejornal do país alguém que nivela milhões de telespectadores com “Homer Simpson”... A pergunta que devemos nos fazer é: E se William Bonner tiver razão? Como foi que alcançamos tal condição, e a quem interessa que continuemos assim...? A televisão amolece o corpo, a televisão amolece o espírito.
No Brasil, segundo o Ibope, as pessoas vêem, em média, cinco horas de tevê por dia. Até quando vamos prolongar nosso passivo imobilismo, nossa paralisante apatia? O sonho dos atuais diretores televisivos é ter como audiência uma imensa massa acrítica, sem uma real capacidade de análise. Um público que não pensa, que não questiona, que é facilmente manipulado, que compra quando e o que lhe mandam comprar.
Por lei, as emissoras são obrigadas a incluir programas educativos na sua programação. Porém, tais programas são relegados a horários de pouquíssima audiência. Globo Ciência e Globo Ecologia passam, por exemplo, de manhã, quase de madrugada, a partir das 6:30h. A educação leva a um consumo consciente, diminuindo o faturamento das emissoras. Quanto mais se anular o “sujeito pensante”, maior o lucro imediato...
Beba com moderação... Países desenvolvidos vêm estabelecendo políticas restritivas para anúncios de bebidas alcoólicas, inclusive cervejas, preocupados com a saúde da população em geral e dos jovens em particular. Tais restrições ocorrem pela simples e óbvia valorização da vida... De acordo com Gilberto Dimenstein, uma série de estudos demonstra que, no Brasil, os jovens bebem cada vez mais e, ainda por cima, começam mais cedo. É simplesmente risível imaginar que eles teriam mais cautela apenas ouvindo aquela rápida frase de alerta depois do sensualíssimo anúncio com mulheres estupendas.
Segundo levantamento realizado pela PUC/RS, os acidentes de trânsito, nas estradas e nas vias urbanas, resultam em mais de 80.000 mortes por ano no Brasil.
De acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos metade destes acidentes estão relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas. Embriague-se com moderação...
E o que dizer de Pedro Bial, quando se dirige aos participantes do Big Brother, chamando-os de “nossos heróis” e “nossos mártires”? Quão deturpados os conceitos de heroísmo e martírio transmitidos. A que ponto chegamos...
Vejamos, por exemplo, uma escola pública localizada no sertão pernambucano. Não há acabamento nas paredes. O banheiro está interditado. Há um ano sem merenda escolar. Não seria mais sensato qualificar de heróis e mártires os nossos professores...?
Eles que, quase sem nenhum reconhecimento, e em condições tão adversas, tentam manter acesa a chama do saber e do conhecimento, muitas vezes obrigados a percorrer longas distâncias a pé para chegar à sala de aula... Heróis e heroínas são também os pequeninos alunos com seus chinelos gastos.
Meu caro Bial, sugiro que junte a produção do BBB, e vão assistir ao documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, do diretor João Jardim, que aborda a situação da educação no Brasil. É o mínimo que formadores de opinião deveriam fazer...
Esta situação ocorre tanto no sertão nordestino, como nas periferias de qualquer capital... Quem sabe o próximo “reality show” possa mostrar a dura realidade de muitos professores e alunos da rede pública. Aí sim teríamos um show de realidade...
Enquanto em outros países o formato “reality show” vem perdendo espaço, no Brasil continua ocupando o horário nobre, o que prova a competência dos marqueteiros globais. Um programa fútil, vazio, totalmente desprovido de qualquer princípio ético, e que instituiu a fofoca em escala nacional. A Rede Globo já comprou os direitos de transmissão do BBB até o ano 2011.
E o que dizer das festas promovidas pela produção do Big Brother? Que belo exemplo são para os nossos jovens: “Bebam para serem felizes, para promoverem farras sexuais”. Obrigado, Rede Globo.
Segundo a Folha de S. Paulo, “Admitir ver o ‘Big Brother Brasil’ significa cada vez mais confessar uma falha de escolaridade, passar recibo de fútil, solitário, imaturo, ‘low class’. Nunca deu status para ninguém acompanhar esse programa. Só queima o filme. Fuja de gente viciada nisso.”
Já foi dito que o teatro é a arte do ator, o cinema, a arte do diretor, e a televisão, a arte do patrocinador. A televisão funciona como um intermediário entre a agência de propaganda, que quer vender o seu produto, e a audiência, o telespectador. A tevê existe por causa do intervalo. Enquanto professores e escolas se esforçam para formar cidadãos, a televisão fabrica consumidores.
A guerra pela audiência, como toda guerra, é covarde e suja. E na guerra pela audiência, como em qualquer guerra são as crianças as principais vítimas...
Segundo o professor da USP, Valdemar Setzer, a televisão foi a maior tragédia que aconteceu à humanidade, e não tem comparação com nenhuma guerra. A televisão mata a imaginação e leva ao estado hipnótico. Na tevê não há aprendizado, há condicionamento.”
Em outubro, mês das crianças, o valor gasto no Brasil em publicidade dirigida ao público infantil foi de aproximadamente R$ 210 milhões. Neste mesmo período, foram investidos no Programa Federal de Desenvolvimento da Educação Infantil (FNDE) cerca de R$ 28 milhões.
É portanto inegável, que a televisão transforma crianças da mais tenra idade em consumidores. Leia a seguir trechos do depoimento de uma jovem mãe, publicado recentemente no jornal Folha de São Paulo:
“Às vezes, chego até a achar que ele está de sacanagem - mas não, aos quatro anos e meio, as crianças ainda não dominam um recurso como o sarcasmo. É que meu filho, quando vê televisão, fica muito atento aos anúncios e, ao final de cada um, declara: "Quero um desses". Sua afirmação é tranqüila, em tom de voz normal, mas é a inequívoca expressão de uma vontade. Há variações. Quando o objeto em questão é escancaradamente "de menina", na profusão de rosas e lilases e florzinhas e babados, ele faz o reparo: ‘Mas se tiver ‘de menino'. Quando isso começou, o pai eu demos explicações simplificadas sobre orçamento doméstico ("não dá para comprar tudo o que vemos"), e, claro, nos afligimos com o impacto brutal da propaganda sobre a nossa criança... A cada interrupção de seus desenhos, continua a fazer seu catálogo mental, um rol infindável de desejos: - o tênis com rodas, armas poderosas de super-heróis inacreditáveis (‘mamãe, você sabe que com isso vira Power Ranger de verdade?’), mais tocadores de MP3, celulares (‘mamãe, isso é de criança? Se for, eu quero’), videogames e até títulos de previdência privada anunciados como se fossem pirulitos. Não há refúgio: até mesmo nos canais pagos com preocupações ditas educativas, a disputa pela hora em que a criança formula o desejo de ter algo que precisa ser comprado pelos pais é implacável. Por ora, suponho, tenho sorte. Nos ajeitamos lá em casa, mas não sei até quando esse armistício dura...”
Especialistas em comportamento infantil têm constatado mudanças significativas provocadas pela exposição massiva e precoce à publicidade. Segundo constatado, dentre as primeiras palavras pronunciadas, as primeiras intenções de transmitir uma mensagem verbal, já aparece a palavra “compra”...
Pesquisa realizada com crianças de nove anos de idade, de escolas particulares da cidade de São Paulo revelou que elas trocam, em média, seus aparelhos celulares a cada seis meses, por novos lançamentos. Este consumismo desenfreado, que nos tem conduzido à iminência de um colapso ambiental, é apenas um dos efeitos maléficos da televisão. Bens materiais perderam seus valores intrínsecos, passando a ser vistos como objetos de ostentação. Será que uma criança de nove anos tem necessidade de um aparelho celular? E aqui não podemos isentar de culpa a figura dos pais, que a cada dia perde mais respeito e autoridade perante os filhos que deviam educar e orientar, muito mais do que apenas “comprar” com presentes e vontades, para compensar a ausência cada vez maior e tentar amenizar a culpa na consciência, sempre com a velha desculpa pronta: “não quero jamais que meus filhos passem pelas mesmas dificuldades por que passei.”
Lembre-se ainda de que o exemplo é o mais forte dos ensinamentos. Não podemos restringir o tempo de televisão de nossos filhos sem reduzir o nosso próprio.
Além do que, a cultura comercial e consumista é ruim para as crianças, e também para nós adultos: ao protegê-las, poderemos também nos libertar.
Diante da tevê, o telespectador está fisicamente inativo. Dos seus sentidos, trabalham somente a visão e a audição, mas de maneira extremamente parcial. Os olhos, por exemplo, praticamente não se mexem. Os pensamentos estão praticamente inativos: não há tempo para raciocínio consciente e para fazer associações mentais, já que a atividade cognitiva está muito lenta. Isso ficou provado em pesquisas sobre os efeitos neurofisiológicos da tevê. O eletro encefalograma e a falta de movimento dos olhos de uma pessoa vendo televisão indicam um estado de desatenção, de sonolência, de semi-hipnose. O piscar da imagem, os estímulos visuais exagerados e contínuos, e a passividade física do telespectador, especialmente seu olhar fixo, fazem com que o cenário seja semelhante a uma sessão de hipnose.
Na leitura é preciso produzir uma intensa atividade interior: num romance, imaginar o ambiente e os personagens; num texto filosófico ou científico, associar constantemente os conceitos descritos.
A tevê, pelo contrário, não exige nenhuma atividade mental: -as imagens chegam prontas, não há nada para associar. Não há possibilidade de pensar sobre o que está sendo transmitido, porque as velocidades das mudanças de imagem, de som e de assunto impedem que o telespectador se concentre e acompanhe a transmissão conscientemente.
Tudo isso significa que o telespectador está num estado de consciência que têm os animais quando não são atraídos por uma atividade exterior (como caçar, prestar atenção em um possível perigo, procurar alimento, etc.).
Infelizmente, a televisão vem ocupando um crescente papel na transmissão dos caminhos da infância. As emissoras e os anunciantes assumiram tal incumbência pensando somente no seu próprio lucro imediato, e não nas crianças ou no futuro da nação.
Além de condicionar um consumismo desenfreado, estudiosos listam, ainda, dentre as influências maléficas da televisão:
- sobrecarga sensorial, sendo que a tevê hiperestimula o cérebro e faz com que se perca o costume de prestar atenção em atividades que exigem uma concentração maior, tais como ler, jogar xadrez ou assistir às aulas;
- indução a comportamentos violentos;
- desencadeamento de uma sexualidade prematura, artificial e doentia.
Portanto, tente seguir ao máximo estas indicações:
- Limite sua própria permanência frente à televisão. Dê um bom exemplo através de sua moderação e discriminação ao assistir programas;
- Torne-se um alfabetizado na mídia, avaliando criticamente a programação e as publicidades veiculadas;
- Não transforme a tevê no ponto central da casa. Evite colocar a tevê no lugar mais importante;
- Não acostume seus filhos ou a si próprio a somente dormir com a tv ligada, como um abajour. Isso causa um condicionamento perigoso, que fará com que só durmam nessa situação;
- Ligue a tevê somente quando houver algo específico que você decidiu que vale a pena assistir;
- E por fim, o óbvio: evite usar a televisão como se fosse uma babá para seus filhos.
Maria Teresa Rocco, professora da Faculdade de Educação da USP e estudiosa da televisão há mais de 20 anos, aconselha uma exposição diária de, no máximo, 45 minutos.
Se atentarmos para o fato de que a criança brasileira passa em média cinco horas por dia em frente à tevê (Ibope), quanta influência da mídia ela sofre?
Troque de carro, troque de celular, mude de operadora, temos os melhores planos,
beba mais cerveja... Descontos de arrepiar! Não deixe passar! É para zerar! Venha correndo aproveitar!
Compre! Beba!
Schwarzenegger, Van Damme, Stallone, Chuck Norris, Steven Seagal
E agora, os gols de Tuna Luso e Itumbiara pela “série C” do campeonato brasileiro.
Deborah Secco de calcinha e sutiã dá recorde de audiência à novela "Paraíso Tropical”
De segunda a sexta, TV Globinho, Mais Você, Vídeo Show Vale a Pena Ver de Novo (será que vale mesmo?), Sessão da Tarde, Malhação, Novela das seis, Novela das sete, Novela das oito, Casseta e Planeta, Tela Quente, Futebol, Linha Direta... Propagandas, Propagandas, Propagandas, Compre, Beba, Consuma, Exista.
E chega mais um domingo, e o que já era ruim consegue a proeza de piorar ainda mais...
E não perca! Depois dos reclames do Plim-Plim, as vídeo-cassetadas do Faustão... Pancadas que ferem, tombos que machucam...
As alfinetadas, as chineladas... Divirta-se com os comentários cruéis e venenosos do Faustão,
o riso que se compraz com a humilhação do próximo, a cultura do escárnio...
Como dizia Millôr Fernandes, “O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já tinha inventado a televisão, que ensina a desprezar o distante.”
E no horário nobre: Com a “Dança do Poste” de Flávia Alessandra, “Duas Caras” alcança 40 pontos no ibope pela primeira vez.
E no nobre horário: “Zorra Total”. O segundo programa mais assistido pelo público infantil...
Propagandas, Propagandas, Propagandas, Compre, Consuma, Possua...
O quê??? O teu suado dinheiro acabou? Já não dá mais pra comprar o que te anuncio, - supérfluos itens consumistas?
“Quem disse que não dá? Venha correndo pegar dinheiro emprestado! Na Fininvest dá!”
Endivide-se, perca noites de sono por conta de dívidas e credores, enriqueça os agiotas.
O Jogo do Bicho é ilegal? Os Cassinos são proibidos? Não faz mal, aposte nas loterias da Caixa!
E agora, vamos dar aquela espiadinha: Alemão, Bam-Bam, Cobra, e Siri... (nossos heróis)... É dia de paredão: Se vc quer eliminar fulaninha, ligue... Se quer eliminar fulaninho, ligue... (maldade tirar assim o dinheiro dos pobres e dos pouco instruídos...)
“Passarinho quer dançar, Tchu tchu tchu... O rabicho balançar porque acaba de nascer...”
Quão vazia uma vida pode se tornar... É na infância que se cria uma dependência que, freqüentemente, continua pelo resto da vida. Nada melhor que a tevê para preencher uma vida vazia, carente de aspirações elevadas e sem padrões morais firmes...
Mais uma vez, palavras sábias do Millor: “Só teremos um país de verdade no dia em que gastarmos mais com escolas do que com televisão, isto é, no dia em que gastarmos mais com a educação do que com a falta de educação.”
Darcy Ribeiro (1922-1997), um dos maiores defensores da educação no país, o que lhe valeu o apelido de “O Poeta da Educação”, defendia a instituição da educação em tempo integral no país. Dizia que a escola em turnos é uma perversão brasileira, e que, enquanto num turno a escola educa a criança, no contra-turno a tevê deseduca. Como se pode prosseguir assim? “Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem: a salvação dos índios, a escolarização das crianças... Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas”.
Por quanto tempo, ainda, iremos ignorar os conselhos e o inestimável legado, por implementar, de Darcy Ribeiro e de todos os grandes educadores e humanistas?
Por quanto tempo, ainda, iremos permitir que os senhores globais nos tratem como se fôssemos “Homer Simpson”?
Por quanto tempo, ainda, iremos permitir que Faustão, Gugu, Tiririca e Pedro Bial “eduquem” as nossas crianças...? Sabendo que o compromisso deles é com os anunciantes e o seu trabalho, impulsionar as vendas?
Eficientes campanhas publicitárias nos fazem acumular um acervo de ornamentos e adereços absolutamente dispensáveis (como a constante troca de aparelhos de celular).
Vender ou não vender um produto é simples questão de marketing. Basta saber provocar no consumidor o “desejo de consumo”.
Que infância estamos construindo? Lembre-se de que a criança só fica alegre quando recebe alguma coisa de seu interesse: seja um bem material, como um presente ou um bem imaterial, como atenção, respeito, carinho. E, dentre estes dois bens, certamente é o imaterial que ocasiona a felicidade verdadeira, duradoura e genuína.
Basta rememorarmos a nossa própria velha infância... Quais as lembranças mais caras que ficaram guardadas da tua infância? Quais as recordações que ainda fazem sorrir a tua alma...?
José Saramago nos lembra: “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo.”
O verdadeiro tempo é o da memória... E o que sabemos sobre o tempo, sobre a memória, sobre a vida...?
O escritor Alcione Araújo, nos faz refletir: “O ser humano é um ser complexo, cheio de sutilezas. É um ser que deve ser valorizado em sua singularidade. Cada ser é único, essa é sua riqueza, por isso somos todos tão preciosos. Essa banalização do amor, da violência, do sexo, da solidão, essa banalização da vida que a gente vê na tevê é a própria negação da arte. A vida passa a perder importância.”
A arte tem o poder de abrir os canais da sensibilidade. A arte nos possibilita adquirir vivências que não vivemos, enriquecendo a nossa aventura existencial. A arte é um aprofundamento da experiência de estar no mundo, um mergulho na vida. O processo de produção televisivo é a própria negação da arte, uma vez que procura gerar uma cultura de massa, com vistas a vender o produto do anunciante.
Procure familiarizar seus filhos e netos, desde a tenra idade, com a riqueza da arte, teatro, literatura, música, artes plásticas... O livro é um tesouro, tesouro maior, o livro lido.
O que falta para a gente mudar o ângulo do olho e perceber as belezas que estão à nossa volta?
Desligue a tevê, e torne a vida num lugar melhor... Miríades de potencialidades e possibilidades nos reserva a vida...
Uma outra infância é possível. Buscar a fonte límpida, em meio aos córregos poluídos.
Enxergar um Novo Mundo, solidário e humano, por construir, em meio às ruínas do velho mundo, individualista, materialista e consumista.
Quem são os teus heróis, quem são as tuas heroínas? Quem são os heróis e as heroínas dos teus filhos? (que possam não ser os Bambans do Big Brother ou as Sheilas do Tchan...)
Um outro Brasil é possível, onde a educação e a cultura ocupam o espaço que, de direito, lhes pertence.
Um outro mundo é possível. Um mundo de novas atitudes, novos paradigmas, novos olhares, nova postura, nova visão...
Como dizia com propriedade, Henri Poincaré (matemático, físico e filósofo francês), "O coração da criança é campo favorável à semeadura do bem."
E Luis Fernando Veríssimo, não deixa por menos: “Melhor legado para deixar aos filhos? A solidariedade.”
“Se as pessoas não buscarem uma saída espiritual rapidamente... O mundo não vai acabar, mas ficará uma situação insustentável. Mas ainda temos as crianças, e isso é o que pode nos salvar...” Renato Russo.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

DESABAFO DE UM BOM MARIDO - Luís F. Veríssimo




Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela
vai às compras.

Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma
máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar
pra sentar. Daí comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Eu me casei com a Sra. Certa. Só não sabia que o primeiro nome
dela era Sempre.

Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de
interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha. Ela
perguntou: O que tem na TV? E eu disse; Poeira.

No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e
descansou.
Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o
Mundo tiveram mais descanso.

Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre
me dando a entender que eu deveria consertá-lo.

Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o
caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim.
Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta,
ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por
um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa.
Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dente e lhe entreguei.

-Quando você terminar de cortar a grama, eu disse, "você pode
também varrer a calçada".

Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu
voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida.

O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está
sempre certa e a outra é o marido...

TUDO QUE O HOMEM PRECISA SABER SOBRE TPM


Como admirador incondicional da beleza feminina, depois de anos e anos de dura pesquisa de campo, aprendi a satisfazê-las (ou quase!) e principalmente, aprendi que nós homens, somos reféns do hormônio feminino, pois existem dias do mês em que basta um homem abrir a boca para ficar com sua vida por um fio. Então, este é um guia útil, seguro, e que deveria estar sempre à mão, na carteira de todos os maridos, namorados, amantes ou similares! Eu já o memorizei, para a minha própria segurança. Vejam se eu estou ou não certo...

FRASES E PROCEDIMENTOS PARA SOBREVIVER A UMA MULHER COM TPM


PERIGOSO: O que tem pro jantar?
SEGURO: Posso te ajudar com o jantar?
SEGURÍSSIMO: Onde você quer ir pra jantar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.
>>>
PERIGOSO: Você vai vestir ISSO?
SEGURO: Nossa, você fica bem de marrom!
SEGURÍSSIMO: Uau! Tá uma gata!
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.
>>>
PERIGOSO: Tá nervosa por quê?
SEGURO: Será que não estamos exagerando?
SEGURÍSSIMO: Vem, deixa eu te fazer um carinho...
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.
>>>
PERIGOSO: Será que você devia comer isso?
SEGURO: Sabe, ainda tem bastante maçã.
SEGURÍSSIMO: Quer um copo de vinho pra acompanhar?
ULTRA-SEGURO: Aqui, come esse chocolate.
>>>
PERIGOSO: O que você fez o dia todo?
SEGURO: Espero que você não tenha trabalhado demais hoje.
SEGURÍSSIMO: Adoro quando você usa esse robe!
ULTRA-SEGURO: Come mais um pouco de chocolate.
>>>
São apenas situações ilustrativas, que podem ser aplicadas em inúmeros outros casos, mas se vc mulher, tem mais alguma sugestão de outra situação que possa ser útil neste guia, por favor me envie, para que eu possa atualizar a próxima edição.
>>>
Eis algumas definições para TPM:
- TPM = Todos os Problemas Misturados
- TPM = Tendências a Pontapés e Murros
- TPM = Temporada Proibida para Machos
- TPM = Tocou, Perguntou, Morreu
- TPM = Tente no Próximo Mês
- TPM = TPM = Tô Pirada Mêrrmo
- TPM = Tempo Pra Meditação
- TPM = Tendência Para Matar
- TPM = Tira as Patas, Moleque
- TPM = Total Paranóia Mental
>>>
E, finalmente, se vc, mulher, que está lendo isto agora, está de TPM, calmaaaaaaa... LEMBRE-SE:
>>>
"TPM é aquela época do mês em que algumas mulheres se comportam, por alguns dias, da maneira como grande parte dos homens se comportam durante TODO o ano."

Peço desculpas aos homens, mas eu tive que dar essa bajuladinha no final, pois tenho muito amor à vida.

SOBRE A MULHER - Martha Medeiros


Olha ela aqui de novo. Texto da minha amiga paulistana, Martha Medeiros, que traduz exatamente tudo o que eu penso sobre a mulher... Aproveite.

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer! Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou. Trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto, ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir... Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado!) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

CURSO SÓ PARA HOMENS


Pessoal, durante este mês, estarei participando deste curso, aqui em S. Paulo. Não que eu realmente precise, mas apenas para me reciclar. Recomendo.

INSCRIÇÕES ABERTAS!
(por email)
(vagas limitadas)
NÃO PERCAM! Novo Curso de Formação para Homens


OBJETIVO PEDAGÓGICO


Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência ( o cérebro ).

SÃO 4 MÓDULOS


Módulo 1: Introdução (Obrigatório)


1. Aprender a viver sem a mamãe (2.000 horas)

2. Minha mulher não é minha mãe (350 horas)

3. Entender que não se classificar para a Libertadores não é a MORTE (500 hs)

Módulo 2: Vida a dois


1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)

2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas (500 hs)

3. Superar a síndrome do ' o controle remoto é meu' (550 horas)

4. Não urinar fora do vaso (1.000 horas - exercícios práticos em vídeo)

5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 hs)

6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)

7. Como sobreviver a um resfriado sem agonizar (450 horas)

Módulo 3: Tempo livre


1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)

2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios práticos)

Módulo 4: Curso de cozinha


1. Nível 1 (principiantes - os eletrodomésticos) ON/OFF = LIGA/DESLIGA

2. Nível 2 (avançado) minha primeira sopa instantânea sem queimar a Panela

3. Exercícios práticos - ferver a água antes de por o macarrão

CURSOS COMPLEMENTARES:


POR RAZÕES DE DIFICULDADE , COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS , OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.


1. A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico competente para fazer reparos;

2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade (práticas em laboratório);

3. Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se casado com ela;

4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário? (biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)

5. Como baixar a tampa do vaso passo a passo (teleconferência);

6. Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais (exercícios de reflexão em dupla);

7. Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes (testemunhos);

8. O detergente: doses, consumo e aplicação.

Práticas para evitar acabar com a casa;

1. A lavadora de roupas: esse grande mistério!!

2. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão (exercícios com musicoterapia);

3. A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios Dirigidos por Mister M);

12. Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho.

RITUAL DE PASSAGEM DOS ÍNDIOS CHEROKEES


Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees? Então curta e reflita.

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.
O filho se senta sozinho no topo de um montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte. Ele não pode gritar por socorro para ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
O menino está naturalmente amedrontado. Ele pode ouvir toda espécie de barulho.
Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.
Talvez alguns humanos possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem vir pica-lo.
Ele pode estar com frio, fome e sede.
O vento sopra a grama e a terra, sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.

Finalmente...

Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele esteve a noite inteira protegendo seu filho do perigo.

Nós também nunca estamos sozinhos!
Mesmo quando não percebemos, Deus, nosso Pai, está olhando para nós, "sentado ao nosso lado".
Quando os problemas vêm, tudo o que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.
Apenas porque você não O vê, não significa que Ele não esteja com você.

Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material.

E evite tirar a sua venda antes do amanhecer...

AS MINEIRAS - Carlos Drummond de Andrade

Aqui, agora que tô morando nesta maravilhosa Minas, não poderia jamais deixar de fazer esta pequena homenagem às lindas mulheres mineiras... Ô trem bão, sô! O quê? Cê não é mineira e tá com ciúme? Ô dó! Pó pará, viu? Senão eu não dô conta docê! E eu não quero caçar confusão com ninguém... Procupa não, boba, que eu adoro o teu sotaque também, tá bom? Um beijo procê e se divirta, com mais este texto maravilhoso do Drummond.

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque!

Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: "pó parar".

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs.Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço.
Pouco importa que seja um juiz de direito, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro - metaforicamente falando, claro - ele é bom de serviço. Faz sentido...

Mineiras não usam o famosíssimo "tudo bem". Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.
Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo "mexer", para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse "aqui" é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, "olá, me escutem, por favor". É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem "apaixonado por". Dizem, sabe-se lá por que, "pêxonado com". Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: "Ah, eu pêxonei com ele...". Ou: "sou doida com ele" (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas "com" alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de "bonitim", "fechadim", e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: "E aí, vão?". Traduzo: "E aí, vamos?".

Não caia na besteira de esperar um "vamos" completo de uma mineira. Não ouvirá nunca. Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.
No supermercado, não faz muitas compras, ele compra "um tanto de côsa". O supermercado não estará lotado, ele terá "um tanto de gente". Se a fila do caixa não anda, é porque está "agarrando" [aliás, "garrando"] lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: "Ai, gente, que dó." É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras.

Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro "caça confusão". Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele "vive caçando confusão".

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: "Ô, é sem noção". Entendeu? É sem noção! Você não tem idéia do "tanto de bom" que é.

Só não esqueça, por favor, o "Ô" no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!!! Vocês já ouviram esse "capaz"? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer "ce acha que eu faço isso"? com algumas toneladas de ironia... Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: "Ô dó dôcê". Entendeu? Não? Deixa para lá.

É parecido com o "nem...". Já ouviu o "nem..."? Completo ele fica:"- Ah, nem..." O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum.

Você diz: "Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?". Resposta: "Nem..." Ainda não entendeu? Uai, nem é nem.

A propósito, um mineiro não pergunta: "você não vai?". A pergunta, mineiramente falando, seria: "cê não anima de ir"? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo.

É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem... Falando em "ei...". As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o "ei" no lugar do "oi". Você liga, e elas atendem lindamente: "eiiii!!!", com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade... Tem tantos outros...

O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.

Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas... Que' s côsa? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um "pelas metade", no lugar de "pela metade". E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: Ele pôs a culpa "ni mim".A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios em Minas... Ontem, uma senhora docemente me consolou: "prôcupa não, bobo!". E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: "não se preocupe", ou algo assim.

A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o "tchau" em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês". É útil deixar claro o destinatário do tchau. Então...

FELICIDADE REALISTA - Mário Quintana


Vejam que verdadeira pérola, este texto do Mário Quintana. Pena que a gente não consegue aplicá-lo na nossa vida, mas bem que podemos tentar, né?

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser
magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar
pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente
apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes
inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos
sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você
pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um
parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem
pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que
saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de
criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o
estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza,
instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está
alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se..
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não
se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la
e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e
não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso
coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

DIÁRIO DE UM QUARENTÃO NA ACADEMIA

Amigos, devo confessar que eu simplesmente detesto malhar. Ficar levantando peso, fazendo poses no espelho, pra conferir se tá ou não fazendo efeito na musculatura... O meu negócio é competição, movimento, muito movimento, e de preferência ao ar livre. Mas como foi um presente, não pude recusar.


Acabei de completar 45 anos. Minha namorada resolveu me presentar com uma semana de treinamento físico numa boa academia. Estou em excelente forma, mas achei boa idéia diminuir minha 'barriguinha'. Fiz a reserva com a 'personal trainner' Cida, instrutora de Aeróbica e modelo. Ela me pediu pra levar um diário e documentar meu progresso, que vem a seguir:

Segunda:
Com muita dificuldade levantei-me às 6 da manhã. O esforço valeu a pena. Cida parecia uma deusa grega: loira, olhos azuis, grande sorriso, lábios carnudos e corpo escultural. Inicialmente, Cida me fez um tour, mostrando os aparelhos. Comecei pela bicicleta. Ela me tomou o pulso, depois de 5 minutos e se alarmou, pois estava muito acelerado. Não era a bicicleta mas ela, vestida com uma malha de lycra coladinha. Desfrutei do exercício. Ela me motiva muito, apesar da dor na barriga, de tanto encolhê-la, toda vez que ela passava perto de mim.

Terça:
Tomei café e fui para a academia. Cida estava mais linda que nunca. Comecei a levantar uma barra de metal. Logo ela se atreveu a por mais pesos!!! Minhas pernas estavam debilitadas, mas consegui completar UM QUILÔMETRO. O sorriso arrebatador que Cida deu me convenceu de que todo o exercício valeu a pena... era uma nova vida para mim.

Quarta:
A única forma como consegui escovar os dentes, foi colocando a escova sobre a pia e movendo a cabeça para os lados. Dirigir também não foi fácil: esticar os braços para mudar as marchas era um esforço digno de Hércules, doía o peito e minhas panturrilhas ardiam toda vez que pisava na embreagem. Fisicamente impossibilitado, achei justo estacionar meu carro na vaga para deficientes físicos... Cida hoje estava com a voz um pouco aguda a essas horas da manhã e quando gritava me incomodava muito. Meu corpo doeu inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer escalada. Porquê 'catzo' alguém inventa um treco para se escalar quando há tempos já inventaram os elevadores? Cida me disse que isso me ajudaria a ficar em forma e desfrutar a vida... ou alguma outra dessas m. de incentivos.

Quinta:
Cheguei meia hora atrasado: foi o tempo que demorei para colocar os tênis. Cida estava me esperando com seus odiosos dentes de vampiro escroto. A desgraçada me colocou para trabalhar com os pesos. Quando se distraiu, saí correndo e me escondi no banheiro. Mandou um outro treinador filho da p. me buscar e como castigo, me pôs a trabalhar na máquina de remar... me lasquei!

Sexta:
Odeio a desgraçada da Cida. Estúpida, magra, anêmica, chata e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte do meu corpo que pudesse se mover sem uma dor angustiante, eu partiria no meio a vaca que pariu essa desgraçada xexelenta. Cida quis que eu trabalhasse meus tríceps... EU NEM SEI O QUE É ESSA P. DESSE TRÍCEPS !!! E se não bastasse me colocar o peso para que o rompesse, me colocou aquelas m. das barras... A bicicleta me fez desmaiar e acordei na cama de uma nutricionista, outra idiota com cara de mal comida que me deu uma catequese de alimentação, saudável, claro. P Q PARIU!!!!!!!!

Sábado:
A lazarenta da Cida me deixou uma mensagem no celular com sua vozinha de lésbica assumida, perguntando-me por que eu não fui. Só com a vozinha me deu vontade de quebrar o celular, porém como não tinha força suficiente para levantá-lo, desisti... Adoraria passar o dia vendo TV jogado na cama, mas quem disse que conseguia apertar os botões do controle remoto?

Domingo:
Pedi ao vizinho para ir à missa por mim agradecer ao bom Deus por essa semana que terminou. Também rezei para que o ano que vem minha namorada me presenteie com algo um pouco mais divertido, como um tratamento dentário de canal, um cateterismo ou até mesmo um exame de próstata.